O desafio lançado por Francisco Tavares à Livraria Pedro Cardoso, no acto de abertura da Feira do Livro, que teve lugar ao final da manhã de hoje, foi aceite por Mário Silva. A partir do próximo ano, Assomada vai ter duas feiras do livro com a presença de escritores, poetas, ensaístas e universitários

Na abertura da Feira do Livro de Assomada, Francisco Tavares desafiou a Livraria Pedro Cardoso (responsável pela organização do evento) para, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Catarina, “fazermos o necessário para organizar mais feiras”. O desafio teve por base a circunstância de Assomada ter já as características de uma cidade com forte componente do ensino, um universo de dez mil estudante do secundário e entre setecentos a mil universitários. Para além da existência de inúmeros funcionários ligados a áreas que exigem conhecimento técnicos e científicos, em que a livraria se especializou.

O Edil disse haver “condições para a realização de duas feiras anuais” e, assim, “fazer-se o caminho para a futura abertura de uma livraria em Assomada”. Assumindo claramente que a capital do concelho é “alternativa à Praia”, Francisco Tavares manifestou a abertura da edilidade para prestar toda a colaboração necessária à Livraria Pedro Cardoso.

GARANTIR O ACESSO AO LIVRO

O responsável deste espaço livreiro da capital, Mário Silva, aceitou desde logo o desafio, garantindo a disponibilidade para novas parcerias com a autarquia. Quatro meses após a abertura, na Cidade da Praia, a Livraria Pedro Cardoso já organizou “uma feira do livro no Fogo”, aproveitando a passagem dos 72 anos sobre a morte do intelectual cabo-verdiano que dá nome à livraria e um dos nomes “mais marcantes” da Cultura cabo-verdiana.

“Os intelectuais cabo-verdianos dos anos vinte e trinta [do século passado] são, infelizmente, muito pouco conhecidos em Cabo Verde”, razão que levou os responsáveis do Instituto Direito e Justiça (protagonistas da iniciativa) a abrir a Livraria Pedro Cardoso e assumir “a responsabilidade de homenagear a Cultura cabo-verdiana, dando o nome do intelectual ao novo espaço. “Achamos importante começar na ilha de Santiago por Santa Catarina, pelo facto de ser uma cidade universitária”, sendo que “os jovens – e não só – têm necessidade de acesso ao livro”, sustenta Mário Silva, para aquém “por incrível que pareça, em Cabo verde o acesso ao livro é extremamente difícil”.

A parceria com a autarquia permite, ainda segundo Silva, “tornar o acesso ao livro mais fácil”, pelo que é intenção da Livraria Pedro Cardoso organizar, já no próximo ano, feiras do livro “em todos os municípios de Cabo Verde”.

“Sou muito crítico em relação às instituições públicas com o dinheiro que se gasta em festivais de música”, disse Mário Silva, acrescentando que “o livro não precisa de muito, apenas 0,5 por cento (%) do que se gasta em festivais”. Para o responsável da Livraria Pedro Cardoso, se a atitude das autoridades fosse outra “de certeza que os escritores e os jovens teriam outro futuro”. “Desafio aceite, no próximo ano estamos disponíveis para fazer outra feira e trazer cá escritores, poetas, ensaístas, universitários…”, sublinhou Mário Silva.

 


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