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Cumbem viveu momentos felizes com a entrega de casa nova à família Cardoso. Segundo Francisco Tavares, “ninguém é feliz sem ter uma boa residência, uma boa referência para a hora em que precisa de descansar e onde pode desfrutar do seu conforto”

A vontade dos homens e das mulheres desta terra vence montanhas. Que o diga Dona Antonina quando, na tarde deste sábado, 8, viu realizado o sonho de sua vida: ter uma casa condigna! A

Antonina Cardoso, mulher sofrida pelos percalços desta vida que, infelizmente, é implacável com os mais vulneráveis, vivia numa miserável habitação de uma divisão partilhando o espaço com uma dezena de familiares em Cumbem. A vida não era (e não é) fácil, embora a Câmara Municipal custeasse as despesas do arrendamento – uma ajuda já si importante -, a casa não tinha como era evidente as condições mínimas para que a família Cardoso pudesse ter uma vida digna.

O destino desta família mudou, porém, tempos atrás quando, por iniciativa dos valorosos membros da Associação para o Desenvolvimento Integrado das zonas de Achada Riba, Cumbem e achada Galego (ADIACA), se iniciou um movimento solidário de djunta mon para acorrer às dores da família de Dona Antonina.

Contactadas pelos dirigentes da ADIACA, a Câmara Municipal de Santa Catarina (CMSC) e a Fundação Cabo-verdiana de Solidariedade (FCS) disseram presente e, com a mobilização das boas-vontades da comunidade, o sonho foi-se aos poucos transformando em obra. Ontem, visível foi que a casa construída num terreno municipal (no valor de cerca de 400 contos) - agora propriedade da Dona Antonina -, é um espaço digno de ser vivenciado por pessoas que, daqui para a frente, têm melhores condições para encarar as suas vidas com renovada esperança.

O MAIS IMPORTANTE É QUANDO AS PESSOAS DÃO AS MÃOS

“A casa é a referência do cidadão”, começou por dizer o Presidente Francisco Tavares numa curta intervenção emocionada e dirigida, desde logo, a senhora Antonina, à valiosa actuação da ADIACA e, naturalmente, à parceira da autarquia no concretizar deste sonho: a FCS. Segundo o edil, “uma pessoa pode ser bonita, mas esteja onde estiver, pode passar até a noite numa grande festa, mas regressa sempre a sua casa que, por isso, é sempre a referência do cidadão” e “ninguém é feliz sem ter uma boa residência, uma boa referência para a hora em que precisa de descansar e onde pode desfrutar do seu conforto”.

A Câmara, que para além de oferecer o terreno, investiu em materiais uma verba na ordem dos 500 contos, ficou, nas palavras do seu Presidente, feliz com a concretização do sonho de Dona Antonina. “Estou emocionado e feliz como da primeira vez em que entrei na minha própria casa”, disse Francisco Tavares, acrescentando que “ninguém pode ser feliz sem ter uma habitação condigna” e pedindo uma vibrante salva de palmas “para elevar o ânimo de Dona Antonina e sua família”.

FAZER OBRA A PARTIR DO NADA

O Presidente enalteceu “o exemplo de parceria criada e mobilizada pela ADIACA, envolvendo a Câmara Municipal de Santa Catarina, a Fundação Cabo-verdiana de Solidariedade, muitos trabalhadores e um conjunto de outras pessoas que meteram a sua mão para que a casa se tornasse uma realidade”. Ainda segundo Francisco Tavares, “o mais importante é quando as pessoas dão as mãos umas às outras e fazem obra a partir do nada”.

O edil enfatizou a capacidade da ADIACA em saber mobilizar “a Câmara Municipal, a Fundação e tantas boas-vontades para que juntos se festejar com Dona Antonina este momento de felicidade”. É que, para o autarca, “o trabalho de uma associação não é fácil, é trabalho voluntário, mas quem trabalha ganha sempre credibilidade e, na hora em que a ganha, tudo vem depois, a solidariedade vem depois e só assim se pode realizar qualquer feito”.

HABITAÇÃO TEM SIDO PRIORIDADE DA AUTARQUIA

“Uma das coisas que mais fizemos em Santa Catarina desde 2008 foi habitação, mais de mil casas recuperadas, quarenta construídas e entregues com chave na mão”, relembrou Tavares o importante trabalho social no domínio da habitação que a autarquia tem desenvolvido nos últimos anos, pesem embora as dificuldades de tesouraria e mobilização de recursos.

“As contribuições não se medem pelo valor, medem-se pelo gesto”, razão que leva o Presidente a sentir-se “honrado por a Associação ter realizado os seus fins”, sublinhando que “só juntos conseguimos transformar os sonhos em realidade”. Francisco Tavares acrescentou ainda que a contribuição da autarquia, por mais importante que seja no plano financeiro, “é sempre apenas um gesto e um símbolo”, terminando a sua intervenção desejando a Dona Antonina que “tenha, com a sua família, muitos e felizes anos de vida na sua casa” e que “antes de o cabelo começar a cair consiga ainda construir o primeiro andar”.

Vanusa Cardoso, Presidente da FCS, manifestou a sua “satisfação por Dona Antonina ter agora uma habitação condigna”, sublinhando que a autoestima de quem tem uma habitação degradada é completamente diferente de quem tem uma casa decente, e enumerou o trabalho desenvolvido pela Fundação nas ilhas de Cabo Verde, nomeadamente, através do financiamento parcelar à recuperação e construção de habitação para os mais necessitados.

 


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