A magia da História revelada em “Nação e Identidade”

O professor universitário João Paulo Madeira deu a conhecer uma obra que se revela referencial para quem se interesse sobre um tema não isento de paixões e arrebatamentos: a construção da Nação caboverdiana. Aconteceu ontem no Centro Cultural Norberto Tavares

 

Foi uma pena Vera Duarte não poder estar presente na apresentação do livro “Nação e Identidade – A Singularidade de Cabo Verde”, do professor e historiador português João Paulo Madeira. Uma pena porque Vera Duarte, como poucos, consegue dar às palavras uma vivacidade que contrasta com o discurso monocórdico de boa parte dos apresentadores de livros.

De todo o modo, a apresentação da obra, tendo perdido por defeito, não se perdeu na sua dimensão mais ampla, ou não fosse João Paulo Madeira um conversador extraordinário, um narrador da História e alguém a quem a docência se percebe colada à pele, à essência do próprio homem simples e simpático que esta quinta-feira, 29, se revelou no Centro Cultural Norberto Tavares.

Antes mesmo de suscitar o interesse do público pela obra, o professor auxiliar da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) ganhou a assistência pela simpatia e por essa rara humildade que caracteriza os seres maiores, num discurso coloquial, sem recurso a chavões ou palavras inatingíveis, numa oratória direcionada para um público maioritariamente jovem.

Um tema de paixões e arrebatamentos

A Madeira coube a difícil tarefa de se envolver num tema que, não raras vezes, suscita paixões e arrebatamentos quase sempre inexplicáveis à luz da “ciência”. É que a construção da Nação caboverdiana gravita em polos interpretativos e analíticos entrincheirados em capelas ideológicas e tacticismos políticos, pelo menos assim tem acontecido até hoje, aliás, para grande pena de um público jovem que, em crescendo, pretende (re)encontrar-se com a História do seu país e o percurso secular da Nação que produziu esse ser extraordinário e único que sobressai no seio da mestiçagem: o crioulo destas ilhas.

Processo histórico e nacionalidade

Partindo dessa singularidade, João Paulo Madeira convida-nos a reflectir sobre o “movimento histórico “ que, a partir do século XV, com o povoamento, inicia o processo de construção da Nação caboverdiana resultante de diversos padrões socioculturais.

A identidade nacional decorre, assim, de factores diversos e contraditórios num resultado final especificamente caboverdiano não compaginável com visões redutoras que sempre têm vindo a animar o debate quando o tema é a nacionalidade, dividindo em quintais estanques africanistas e europeístas.

A singularidade deste Estado-Nação destaca-se dos padrões, das fronteiras e das divisões étnico-culturais que são característica dominante em todo o continente africano, talvez até por uma circunstância: com um desenho geográfico de um arquipélago composto por 10 ilhas, Cabo Verde fugiu ao traçado fronteiriço gizado a régua e esquadro pelas então potências coloniais.

Língua e identidade

Nesta singularidade, a língua-mãe (o crioulo) adquire relevância de topo no movimento histórico de identificação e representação social, funcionando como fator identitário e de unidade nacional, e, como refere o autor, “espelho da identidade caboverdiana”.

Vale a pena ler, com toda a atenção que as grandes obras merecem, este “Nação e Identidade – A Singularidade de Cabo Verde”, onde João Paulo Madeira expurga o debate respeitante à identidade caboverdiana de simples considerações políticas e de preconceitos ideológicos. Sente-se a magia da História ao longo das 230 páginas editadas pela Livraria Pedro Cardoso.

O autor

Professor Auxiliar da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Lisboa (ISCSP) e investigador do Centro de Investigação em Ciências Sociais e Políticas (CICSP-Uni-CV) e do Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP-ISCSP-UL). Obteve em 2009 o prémio UTL/Santader Totta, «Melhores Estudantes da UTL», relativo ao ano letivo de 2008/09, após conclusão de mestrado em Estudos Africanos. Foi Bolseiro de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e, em 2018, Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian de Pós-doutoramento no âmbito da Rede de Estudos Ambientais em Países da Língua Portuguesa (REALP).

Tem cerca de três dezenas de artigos publicados em revistas com arbitragem científica. Tem como áreas de interesse o problema do desenvolvimento e da construção do Estado e da Nação em África, Relações Internacionais e Estudos da Conjuntura.

 


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