Rebeldias e insubmissões no lançamento de “A Idade Poética”

Foi um final de tarde de “desinquietação dos espíritos” e de conversas “contra o situacionismo, o amorfismo social e a imbecilidade coletiva”. O lançamento do mais recente livro de Tchalê Figueira, em Assomada, contou com a presença do autor e a apresentação de António Alte Pinho

 

O Centro Cultural Norberto Tavares foi palco esta quarta-feira, 10, da apresentação do mais recente livro do poeta, escritor e pintor, Tchalê Figueira. “A Idade Poética” é um percurso por “espaços e momentos da história de Cabo Verde e da muito particular visão do autor sobre o seu país, as suas gentes, a sua música, a sua cultura e a alma caboverdiana”, como considerou o apresentador da obra, António Alte Pinho.

Assumindo a sua função de escritor e artista, Tchalê, cumpre a responsabilidade que lhe foi incumbida, pelo caminho escolhido, de mexer com as pessoas e a sua consciência, acreditando que o trabalho que faz é para o futuro do país.

Tchalê considera que “em tempos de escuridão, os poetas são a lanterna do mundo” e que “a vida é poesia”. E, numa mensagem de incentivo à aquisição da obra, avança que “não tem nada maior no mundo de que gente culta e que, quando se cultiva a leitura, as pessoas são menos manipuladas”. O poeta assegura que nada mais convém às pessoas no poder do que cidadãos com pouca cultura.

Para Alte Pinho “falar de Tchalê Figueira é, desde logo, falar de rebeldias e insubmissões”. Seja na pintura, na prosa ou na poesia “cada criação do autor e artista é um grito contra o situacionismo, o amorfismo social e a imbecilidade coletiva”. Como acrescenta o apresentador, Tchalê nos apela a tomar partido de alguma coisa: uma causa, uma bandeira.

Durante a apresentação, vários poemas foram ditos, tanto pelo autor como pelo apresentador ou, ainda, pela jovem jornalista estagiária Carla Luz, numa viagem pelo conteúdo do livro e a visão do artista. A obra, muito mais do que uma crítica sobre aspetos sociais e políticos, como próprio autor afirma, expressa, igualmente, “a poesia do amor e dos beijos”, acrescentando não ser “poeta apenas de críticas e maldades”, sublinhou Tchalê.

António Alte Pinho, por todas as razões enunciadas, recomendou “vivamente” a leitura do livro. O autor, que nutre um carinho especial por Assomada, fala da sua bela relação com a cidade e com a Câmara de Santa Catarina.

O lançamento de “A Idade Poética” contou, ainda, com uma feliz surpresa. Na plateia, a presença do grande poeta caboverdiano Vadinho Velhinho.

É a segunda vez que Tchalê Figueira lança um livro em Assomada. A primeira, aconteceu o ano passado com a apresentação de “Curtos 7 Contos”, que foi pretexto para uma tertúlia literária com António Alte Pinho e a artista gráfica, ativista cultural e diseur Inês Ramos.

“A Idade Poética” tem a chancela da Pedro Cardoso Livraria, contendo 65 poemas (a idade do autor) e o preço de capa de 950 escudos.

 


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