Festival 13 de Maio: A cidade debutante fez-se adulta e foi um sucesso!

 

Nas vésperas de alcançar 18 anos de vida, Assomada viveu o maior festival de todos os tempos. O público encheu por completo o recinto e, pela primeira vez desde que é “gente”, o Festival 13 de Maio esgotou os bilhetes

 

O céu não tinha uma nuvem sequer, apenas a presença da lua que pairava majestosamente em uma noite na Assomada. era sábado e as pessoas, nutridas da convivência, foram às ruas festejar os 18 anos da Cidade de Assomada.

Nome este que no dicionário Houaiss tem o conceito de ato ou efeito de assomar(-se); lugar que primeiro assoma; cume, cabeça; ponto mais alto; auge, climáx", e a palavra assomar significa subir ao cume ou aparecer em lugar alto. Característica que ficou imortalizada na nos versos de "Subi Somada abô di diante, a mi ditras" da famosa coladeira "Pomba" de Biloca, interpretada por Bana e Cesária Évora.

Uma data, em particular, representa o pouco que se sabe da história de Assomada, 13 de maio de 2001, 167 anos após a fundação do Concelho de Santa Catarina e 89 anos depois de se tornar a sede do Concelho, ela foi elevada à categoria de cidade (Decreto-Lei n.º 7/2001 de 26 de março), tornando-se na primeira cidade de Cabo Verde criada após a independência.

Enchente

Em um período de festas nas ruas, com um vasto número galãs e musas caboverdianas, bêbados tropeçando entre as pernas e comerciantes. No dia seguinte, já se anseia pelas festividades do próximo ano. Sonhando com acúmulo de sorrisos em Assomada, onde se pode fruir de uma atmosfera peculiar, num misto de urbe e campo.

O recinto começou a encher, homens, mulheres e até crianças, todos queriam ter a melhor visão da festividade.

Os sussurros “vai começar”, “é Zeca gosi”, “rápido sta bem começa”, “é Bulimundo, nu bai rápido”. Tudo a postos. O festival começa exatamente à 01h52. Os primeiros a levar o público ao rubro foram aqueles que fazem jus ao funaná, género musical tipicamente caboverdiano e santacatarinense, em particular. O grupo Bulimundo, que teve a sua formação nos anos 80, levou o público à loucura ao som do baixo, da guitarra, da bateria e das vozes inconfundíveis dos seus integrantes. Concerteza a melhor escolha para iniciar as festividades. Não decepcionou.

 

Nasce o sol em Assomada

Iluminando a vegetação das montanhas, em tons dourados e verdes, o nascer do sol chega para despertar gente boa da sua cidade. Começa mais um dia resplandecendo a voz da cultura e melodias. Entre sabores e cheiros, na rua da EMPA o movimento dos “famintos” é grande. Várias barracas de prontidão e aquele cheirinho familiar: galinha, churrasco e polvo grelhado, entre outros.

Após uma paragem para descansar um pouco, o próximo artista convidado é anunciado por DJ Pensador, que recorda os grandes êxitos internacionais de Charbel, que trouxe consigo um deslumbramento ao palco, cantando repertórios mais populares. As batidas do som mais pareciam batidas do coração.

 

O maior festival de sempre

Comparado às festividades dos anos anteriores, este ano o número do público presente foi maior, tanto que os bilhetes esgotaram. Um “fenómeno” que tem o selo de uma equipa empenhada e o rosto de João Miranda, o produtor do festival.

De cabelos ao vento, na primeira fileira quem comandava eram as mulheres. A próxima artista a levar o público à euforia foi Blaka, única mulher presente no cartaz deste ano. Sem se intimidar, assim que colocou os pés no palco ninguém a parava e não deixou a desejar. Foi recebida com muito carinho. A artista finalizou a sua apresentação com a música “nós k tem”, homenageando o povo caboverdiano.

Fidjus de Code di Dona, ao som do ferro e da gaita, colocaram todos os festeiros a dançar. A escuridão se despede. Vai nascer mais um dia na cidade que celebrou a luz. Todos reunidos presenciam os primeiros raios de sol, com Trakinus, vibrando o sentimento. E o sol chega tingindo e pincelando o céu nos tons mais deslumbrantes, ao som de do rap com uma mistura de melodias tradicionais.

 

Não desistam dos sonhos

A reviravolta da noite foi a apresentação de Trakinus, que teve que lidar com alguns contratempos, que o levaram a sair do palco duas vezes. O problema chegou a enfurecer alguns fãs, mas o artista não se deixou abalar e voltou ao palco com uma torcida fervente do público. Finalizou a sua apresentação com uma mensagem para todos: nunca desistam dos vossos sonhos.

O próximo artista, Gilson Furtado, trouxe à Cidade de Assomada um pouco de romantismo e a euforia das fãs. Entre os tons azuis e brancos deu serenidade aos corações apaixonados da plateia.

A última apresentação era a mais aguardada da noite-dia, com o público visivelmente entusiasmado, fazendo-se sentir entre gritos e vários lenços (ou t-shirts) pelos ares, como um redemoinho a cada braçada em forma circular. A partir do momento em que o Tony Fika entrou no palco, ninguém o segurou. Ele e o público se tornaram um só. Definitivamente, o artista perfeito para finalizar com chave de ouro este grande dia, que marcou mais um aniversário da Cidade de Assomada.

E regressamos ao início. Os últimos, neste caso, foram os primeiros e deram a voz de arranque para um festival memorável que irá ficar na memória das pessoas. A Banda Miguel Semedo, grupo de dança BSB, Silvino Tavares e Dj Wilson abriram a noite de sonho e representaram com maestria Santa Catarina, provando que, para além das figuras de cartaz, das luzes mediáticas dos nomes firmados no panorama musical, há estrelas emergentes que estão a fazer o seu caminho e têm tudo para se afirmarem. É só mais um pouco e, já, já, as novas estrelas despontarão no firmamento dos grandes dos palcos.

Estão exaustos. Gastaram-se as vozes e as solas dos sapatos. Mas não foram em vão ao festival. Na manhã, com as roupas sujas. Mas as mãos estão limpas. E os sentimentos serão conservados eternamente. A festa de 18 anos, celebrando a debutante cidade de Assomada como adulta, foi um sucesso.

 


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