Assomada homenageou Nuno Rebocho

Com o Centro Cultural Norberto Tavares cheio, Assomada prestou tributo ao escritor e jornalista, num clima de muita emoção, com amigos e ex-companheiros de trabalho a prestar depoimentos sobre o poeta, as vivências comuns e a importância que este tem tido nas suas vidas

 

A Câmara Municipal homenageou esta quarta-feira, 22, o escritor e jornalista Nuno Rebocho, um português que durante 17 anos viveu em Cabo Verde e deixou grandes marcas no jornalismo, na cultura e nos meios intelectuais, e que, como sublinhou o Presidente Beto Alves, é um grande amigo de Santa Catarina.

Com o Centro Cultural Norberto Tavares cheio, Assomada prestou tributo a Rebocho, num clima de muita emoção, com amigos e ex-companheiros de trabalho que prestaram depoimentos sobre o poeta, as vivências comuns e a importância que tem tido nas suas vidas.

António Sérgio Barbosa, António Alte Pinho, Inês Ramos e Tchalê Figueira fizeram emocionadas intervenções abordando as vivências com Nuno Rebocho. Na assistência, Domingos Veiga Mendes, Vereador da Cultura da Ribeira Grande de Santiago, o realizador Júlio Silvão e Tó Gomes, seu parceiro de aventura em “Histórias da História de Santiago”, entre outros, viveram intensamente o momento e, no final, quiseram saudar o escritor na emblemática foto de família que encerrou a homenagem.

Reconhecimento pelo elevado e valioso contributo

“O Nuno identificou-se com Cabo Verde, com Santiago e ficou encantado com Santa Catarina. Este ato de homenagem é de reconhecimento pelo elevado e valioso contributo, num curto espaço de tempo, mas que teve resultados de imediato”, começou por dizer o Presidente Beto Alves, aludindo à integração de Santa Catarina na Rede Cultural Sete Sóis Sete Luas, que trouxe a Assomada, no ano anterior, o festival internacional com o mesmo nome.

Segundo Beto Alves, “o esforço do Nuno colocou-nos nas redes internacionais da Cultura”, contribuindo “e de que maneira, para o desenvolvimento de Santa Catarina”.

Um homem de relações e de afetos

O segundo orador da tarde foi António Sérgio Barbosa (Tozé Barbosa), que falou enquanto amigo de Nuno Rebocho e representante da Rosa de Porcelana Editora, que levou à estampa “Rotxa Scribida”, o livro de poemas que na tarde de ontem foi também apresentado. Uma obra que navega pelo período de 17 anos em que o poeta viveu em Cabo Verde.

“Mais do que um escritor, um poeta, o nosso querido amigo Nuno é um homem de relações e de afetos, próprios de alguém que tão profundamente entrou no modo de ser e no sentir caboverdiano”, disse Tozé Barbosa”, sublinhando “a sua poesia imortaliza a amizade”.

Uma referência

António Alte Pinho começou por dizer: “sou um homem com muita sorte, porque tive o privilégio de trabalhar na mesma redação com o Nuno Rebocho e a honra de ser por ele dirigido”. Referindo-se ao autor como “um dos meus mestres no jornalismo”, o atual coordenador do Gabinete de Comunicação e Imagem da Câmara Municipal de Santa Catarina, recordou Rebocho para além da escrita, destacando a sua oposição ao colonial fascismo e a sua defesa intransigente da independência das então colónias portuguesas, ousadias que levaram Nuno Rebocho ao Forte de Peniche, onde foi preso político durante cinco longos anos.

Sublinhando que o autor é “uma das referências do jornalismo em Portugal, mas também em Cabo Verde”, António Alte Pinho disse que Nuno Rebocho “deixou marcas profundas no país” e “amigos para toda a vida”.

A essência caboverdiana

Emocionado foi, ainda, o depoimento de Tchalê Figueira, amigo e companheiro de “boémia” de Rebocho, salientando que “o Nuno é uma pessoa incrível, com mau feitio, mas com hombridade, uma pessoa que sabe e assume aquilo que é”, e disse estar “surpreendido” com “Rotxa Scribida”, por considerar o livro “tão caboverdiano”.

O também poeta e artista plástico sublinhou: “o Nuno nasceu em Portugal, foi criado em Moçambique, mas veio para Cabo Verde e ficou por cá muitos anos”, e reiterando que “a essência caboverdiana está neste livro”. Tchalê Figueira leu, ainda o poema que, nesta obra, Nuno Rebocho lhe dedica e que relata uma visita do autor e de Júlio Silvão a casa de Mário Lúcio, em Achada Mato, onde então Tchalê residia quando, vindo do Mindelo, ia passar uns dias à cidade da Praia.

O nosso mestre

Inês Ramos, por sua vez, manifestou “ficar muito contente quando se homenageia um autor como Nuno Rebocho enquanto ele está vivo”, salientando que ele “é um companheiro de luta, de escrita, da arte e da boémia” e salientou tratar-se de “um grande jornalista e um chefe de redação à antiga”, e “um dos poetas grandes da língua portuguesa”.

A artista gráfica revelou que foi Nuno Rebocho que a trouxe para Cabo Verde, referiu-se ao jornalista como “o nosso mestre” e disse ser “muito diferente, muito inacreditável trabalhar com ele”, uma pessoa “contagiante e imparável”.

Por último, Inês Ramos leu vários poemas de Rebocho, inclusos em “Rotxa Scribida” e em obras anteriores.

Entre o público da homenagem a Nuno Rebocho (que se encontra em Portugal), marcaram ainda presença professores e alunos do Liceu Napoleão Fernandes, entre outros.

A animação musical esteve a cargo do grupo de batucadeiras Raiz Fincado, de Nhagar, e do músico e cantor David Rocha, professor e diretor da Escola de Música Norberto Tavares.

O Autor

Jornalista, poeta e escritor, Nuno Rebocho nasceu em Queluz (Portugal), mas cresceu e estudou em Moçambique, e viveu cerca de uma década na cidade da Praia, capital de Cabo Verde.

Ex-jornalista da imprensa escrita e da rádio, tanto em Portugal como em Cabo Verde, Nuno Rebocho desempenhou funções de chefe de redação da RDP – Antena 2, foi assessor do ministro da Habitação, Obras Públicas e Transportes do VI e VII governos constitucionais de Portugal e assessor da Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, em Cabo Verde. É, ainda, Cidadão Honorário da Cidade Velha e foi nomeado assessor lusófono da Korsang di Melaka.

Nuno Rebocho é autor de vasta obra publicada em Portugal, Cabo Verde, Brasil e Argentina.

 


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