Amizade e cumplicidades no lançamento do livro de Silva Roque

Aconteceu esta sexta-feira, no Centro Cultural Norberto Tavares, juntando amigos para a apresentação de “Espermas de Sol” – o primeiro livro de poesia do jornalista. A apresentação esteve a cargo de António Alte Pinho e Gaudino Cardoso

 

Amizade e cumplicidades foram o traço central no lançamento de “Espermas de Sol”, o primeiro livro de poesia de António Silva Roque, em Assomada. Para a apresentação da obra o jornalista e poeta convidou dois amigos: António Alte Pinho e Gaudino Cardoso. O primeiro, ex-jornalista, chegou a ser seu colega num jornal caboverdiano; o segundo, investigador e docente universitário, atualmente seu vizinho, marcaram presença esta sexta-feira, 13, no Centro Cultural Norberto Tavares.

Com amigos a rodeá-lo, muitos de Assomada, que conviveram com Silva Roque nos tempos em que foi docente e Delegado da RTC, o ambiente só poderia ser de cumplicidades e grandes emoções.

Grandeza narrativa e descritiva de Silva Roque

Segundo António Alte Pinho, o autor de “Espermas de Sol” é “um dos maiores poetas caboverdianos da atualidade, pese a circunstância de, apenas agora, podermos ter o privilégio de receber em mãos a sua primeira obra editada” pela Sociedade Caboverdiana de Autores (Soca).

Relembrando o período em que o conheceu, quando escreviam os dois no mesmo jornal, Alte Pinho fez questão de sublinhar que logo se apercebeu “da grandeza narrativa e descritiva de Silva Roque, numa estranha, senão mesmo surpreendente, capacidade de empurrar o leitor para a leitura, começando pelo título, passando pelo lead, até ao último parágrafo do corpo da notícia” e sublinhando que “mais adiante, com o convívio regular” se apercebeu “da singular capacidade de Silva Roque para fazer de uma notícia vulgar um grande momento da escrita, sempre com aquele toque poético que – ao contrário do que defendem os cultores do jornalismo sintético e descartável – só engrandece a técnica e a escrita jornalística”.

Reportando-se a “Espermas de Sol”, António Alte Pinho sustenta tratar-se de “um livro que, ao contrário do que poderia indiciar, nada tem a ver com sexualidade ou, mesmo, com sensualidade”, antes “com o eterno mistério da fecundação, em que o autor, numa espécie de diário de bordo de vivências várias e de vidas entrecruzadas, encontra um aforismo para brincar com o género do sol e da terra – o masculino e o feminino -, no fundo, para a razão mais profunda da existência humana”, sublinhou.

“Outra particularidade da sua escrita, prende-se com a estrutura, percebendo-se a narração exaustiva, com uma envolvência prenhe de pormenores, e com uma rara capacidade de observação das coisas, das pessoas e do espaço”, disse ainda Alte Pinho, acrescentando: “Serão, porventura, influências dessa deformação profissional dos jornalistas, que os leva a ficarem de fora para conseguirem estar por dentro, ou de como a circunstância foi muito bem definida por José Saramago ao dizer ‘é preciso sair da ilha para perceber a ilha’…”.

Ainda segundo o apresentador, “observando e registando as vivências alheias, António Silva Roque destapa o interior da sua sensibilidade e personalidade mais profundas, revelando este poeta de primeira água e o ser humano de exceção a que todas e todos – as suas amigas e os seus amigos – nos apraz conhecer e admirar”.

Poeta do amor, da amizade e da liberdade

Já segundo Gaudino Cardoso, “António Silva Roque é um poeta do amor, da amizade, da liberdade, de saudades, de lembranças, de sonhos e de esperança”, mas também “um poeta que, a todo o custo, procura fugir à solidão, apoiando-se em velhas e novas relações e amizades, e em recordações”.

Cardoso considera, ainda, Silva Roque “um poeta místico por natureza”, um poeta “contemporâneo e clássico”, e “um poeta de todos os tempos”.

Breve biografia do autor

Natural de São Nicolau, onde nasceu a 29 de dezembro de 1968, António Silva Roque teve passagem pelo grupo de intervenção cultural Oásis, compartilhando percursos e experiências com o renomado artista Zé delgado, Adelino Fonseca, Daniel Andrade e Luiz Filipe, entre outros.

Silva Roque está presente na antologia Poetas do Atlântico (Açores, Portugal, 1999) e na Contra Antologia Brasil Frequente. Foi, ainda, presença frequente em vários órgãos da imprensa escrita caboverdiana, mas também em alguns títulos estrangeiros.

Jornalista da Rádio Nacional de Cabo Verde, com uma passagem pelo canal de televisão Record, António Silva Roque é ensaísta e homem de vários ofícios, com uma forte ligação a Assomada, onde foi docente do Liceu Amílcar Cabral e da Escola Técnica Grão-Duque Henri. Foi, ainda, Delegado da RTC em Santiago Norte.

Licenciado em Estudos Caboverdianos, é antigo quadro do INPS e ex-assessor do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

António Silva Roque, enquanto jornalista, recebeu formação na República Popular da China e em Cabo Verde.

 


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