Dez famílias beneficiam de projeto alternativo à apanha de areia

Retirar as mulheres desta atividade de risco, é o propósito do protocolo assinado entre a Câmara Municipal de Santa Catarina e o Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade de Género

 

A Câmara Municipal de Santa Catarina e o Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) assinaram esta quinta-feira, 09, em Ribeira da Barca, um protocolo de parceria que visa a implementação de um projeto de reconversão da atividade mineira de alto risco (apanha de areia) com o intuito de dar outras alternativas a essas famílias incentivando-as a optar por atividades geradoras de rendimento a longo prazo.

O protocolo prevê montar uma empresa de avicultura, que vai permitir a comercialização nacional de ovos, galinhas poedeiras, carnes e derivados, beneficiando dez mulheres chefes de famílias.

O projeto de reconversão da apanha de inertes está orçado em cinco mil contos, sendo financiado em parte pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que entrou com 3.305.788 escudos, e vai ser coordenado pelo ICIEG e pela autarquia.

Segundo a Presidente do ICIEG, Rosana Almeida, trata-se de uma solução para propiciar um trabalho digno a estas mulheres que vivem da extração de inertes. “Não queremos que, depois, as beneficiárias venham dizer que o montante recebido acabou”, disse Rosana Almeida. “Queremos a sustentabilidade, elas podem-se organizar em cooperativa, driblar a pobreza, conseguir criar um aviário e colocar os seus produtos no mercado cabo-verdiano”, sublinhou a Presidente do ICIEG.

Por sua vez, o Presidente Beto Alves lembrou que a montagem desta empresa de avicultura, que beneficia dez mulheres, é a segunda fase do “projeto de reconversão da apanha de inertes” nesta localidade. E relembrou que a primeira fase comtemplou também dez famílias em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), cujas beneficiárias estão em formação em São Francisco, para que possam implementar o sistema hidropónico na vila piscatória.

“A extração de inertes é um problema estruturante e a solução deve ser também estruturante e sustentável para não voltarem à situação inicial”, advogou Beto Alves.

O Presidente mostrou-se otimista em que o projeto vá ter resultados, e anunciou que pretende mobilizar mais parceiros, “porque ainda temos mais famílias a ser contempladas”.

 


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