Conversa aberta marca início da Semana da República em Assomada

Lei da Paridade e Emancipação das Mulheres foi o tema escolhido pelas alunas Sandra de Pina e Larisa Tavares, para a Conversa Aberta decorrente do plano do estágio da Licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial da Universidade de Santiago. O evento teve lugar esta terça-feira, 14, e contou com intervenções de Redy Lima, Graça Sanches e Lígia Fonseca

 

O recurso utilizado para promover a igualdade entre o homem e a mulher é a Lei da Paridade, que estabelece que os homens e as mulheres caboverdianas são iguais perante a lei, e garante direitos de igualdade, deveres e oportunidades para todos sem discriminar, visando uma sociedade mais justa, democrática e equilibrada.

Mas, na prática, as mulheres continuam a ter menos oportunidades que os homens. O problema maior deve-se ao facto de as mulheres continuarem a ser excluídas devido ao seu género, a desigualdades sociais, e estar fora dos cargos de decisão.

São reflexões que estiveram presentes na Conversa Aberta Lei da Paridade e Emancipação das Mulheres, que aconteceu esta terça-feira, 14, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Neste sentido, os oradores desta conversa aberta, a Primeira-dama Lígia Fonseca, Graça Sanches, professora e ativista social, e Redy Lima, investigador e também ativista social, foram unânimes em afirmar que a Lei da Paridade vem no sentido de ajudar as mulheres a emanciparem-se e a ganhar consciência da sua força intelectual.

Para a Primeira-dama, tendo a Lei da Paridade aprovada, é necessário fazer o que esta impõe. Primeiro, a divulgação da lei, explicar o que é, e o porquê de ser aprovada.

“É importante que as próprias mulheres percebam que os melhores resultados com esta lei exigem uma maior participação determinada das próprias mulheres”.

Acrescentou, ainda, que a lei não resolve a questão de género, porque “esta lei é um instrumento para se combater as desigualdades de género, não há nenhuma lei que por si só consiga transformar imediatamente a sociedade das práticas incorretas”, afirmou Lígia Fonseca.

Já Graça Sanches é da opinião que o problema só estará resolvido quando as oportunidades para homens e mulheres forem as mesmas.

“A Lei da Paridade é, sim, justificável porque temos uma questão de desnivelamento das oportunidades. No acesso às oportunidades, as chances têm de ser iguais”, afirmou a ativista social.

O investigador Redy Lima defendeu que o grande problema de Cabo Verde é a “desigualdade de género, desigualdade económica, desigualdade de acesso e de oportunidades”, e sustentando que “a Lei da Paridade surge como oportunidade para tentar resolver essas questões, tentando ajustar não só a questão da desigualdade, mas sobretudo a questão da equidade”.

“A Lei da Paridade é necessária, sim, ela, por um lado, tenta resolver essas questões porque coloca de facto as mulheres no lugar de decisão”, acrescentou Redy Lima.

O Presidente em Exercício, Jacinto Horta, por sua vez, disse “que é necessário que as próprias mulheres assumam com determinação e coragem as suas lutas e as suas justas reivindicações, não apenas para terem um lugar reservado na política e nos cargos de direção, mas antes pelo seu envolvimento ativo na dinâmica democrática”.

Recorde-se que esta conversa aberta está inserida nas comemorações da Semana da República, um evento promovido pelo Gabinete do Presidente da República, e decorre do trabalho de estágio, no Gabinete de Comunicação e Imagem, de duas alunas finalistas da Licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial da Universidade de Santiago, Sandra de Pina e Larisa Tavares

 


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